Por Julie Maria
A partir das leituras de dois bons artigos sobre modéstia, decidi escrever minha opinião. Para melhor compreender este texto, é indicada a leitura dos dois links a seguir.
Creio que apesar da discrepância da autora Kathleen van Schaijik referente a alguns aspectos daquilo escrito pela autora Regina Schmiedicke, elas tem a mesma meta: engrandecer a virtude da modéstia, esquecida e relegada nos dias atuais, especialmente na veste feminina. No entanto, parece que o “meio” que ambas utilizam não são totalmente iguais. Parece que enquanto a Sra. Regina afirma o dever da mulher de se vestir de tal forma “a não desrespeitar a sensibilidade virtual dos homens”, a Sra. Kathleen acha que é um erro, no tema da modéstia da veste feminina, “colocar tanta ênfase no perigo de tentar homens ao pecado” e aconselha a “esquecer as regras e códigos de vestuário”, vendo nestas regras uma contradição com o “tentar com mais vigor inculcar no outro uma apreciação mais profunda da natureza e da dignidade da pessoa humana”.
Eu particularmente acho que as duas posturas devem complementar-se e não excluir-se. E acredito que enfatizar o aspecto positivo da modéstia é imprescindível, afinal o coração humano tem sede da Beleza e se conseguimos mostrar que a conexão entre modéstia e beleza é “natural” (e não “forçada” como as modas atuais fazem, ao destruir tanto o corpo como o interior da mulher), então teremos avançado neste campo de revalorizar a virtude da modéstia.
Mas o ponto central que gostaria de apresentar é que, apesar do texto da Sra. Kathleen van Schaijik ter excelentes insights, eu acho que ela também cai no erro de generalizar – crítica que ela fez à Sra. Regina – ao afirmar que “meninas cujo sentimento de modéstia foi formado em uma cultura em que ter um ‘ótimo visual’ é entendido como sinônimo de ‘visual excitante’ não estão dispostas a levar a sério um código de décadas passadas que estipula o número de centímetros abaixo do joelho, cotovelo e clavícula.”
Eu não concordo com esta sua idéia, porque minha própria experiência diz o oposto: que não somente eu preciso, mas que estas regras (chamadas orientações pela Santa Igreja) também me faz livre! Quando eu descobri as orientações – tão simples e tão profundas – que a Igreja nos oferece foi como um alívio muito grande… uma sensação de “não estar mais perdida”, de não estar “no escuro”: eu tenho uma Mãe, a Igreja Católica, que cuida de mim e por isso me facilita o caminho para o céu me ensinado como eu devo viver – e consequentemente a me vestir – aqui e agora! Desde esta perspectiva é que devemos entender – e acolher – estas orientações. Creio sim que alguns centímetros abaixo – ou acima – do joelho podem mudar drasticamente a modéstia de uma saia ou vestido, e podem ser instrumento de graça – ou de perdição – para os meus irmãos. E aqui acho que entramos no centro desta questão.
Parece que o feminismo moderno odeia a verdade de que nós, mulheres, somos responsáveis pelo “outro”. Começando pela maternidade – que é o máximo na vocação de “cuidar do outro – o feminismo quis colocar o cuidado do outro como “escravidão” e nos quis “libertar” tirando este “peso de nossas costas”. Mas a natureza da mulher é maternal. Não há como mudar isso. Podemos nos auto-enganar, podemos ser ignorantes (com eu, que fui feminista sem saber!) e podemos estar com a consciência mal formadas e com isso abafar esta verdade, mas ela não deixa de estar inscrita no nosso corpo: somos chamadas a ser mães, biológicas e-ou espirituais. E isso é muito bom! Uma divina vocação!
Tendo presente isso, e tendo presente que vivemos num estado de natureza caída, se a primeira sensação da regra é “que ela me limita”, devemos crescer, amadurecer e nos conscientizar que a lei é boa justamente porque eu não estou mais no Jardim de Éden, e por tanto ela me guia. Ela é luz no meu caminho! Ela me faz andar com segurança frente a uma reinante confusão (basta olhar a primeira vitrine e você verá vestidos com tamanho infantil sendo vendidos para adultos)!
Adão e Eva não precisavam de nenhuma lei pois sua delícia estava em fazer a vontade divina e nada mais desejavam. Nós, devido à concupiscência, temos uma inclinação que nos faz necessitar da lei e da graça da redenção, e com a graça conseguir ver que a orientação me liberta da escravidão do meu ego, ou de pensar que eu tenha que inventar critérios, neste caso, para uma moda objetivamente modesta.
Por outro lado, esta postura que vê a orientação como algo “chato” e um “obstáculo” para as meninas do século XXI se encantarem com a modéstia, não consegue vislumbrar o que está por detrás dela, neste caso, o que está por detrás da regra que diz que “devemos nos vestir modestamente para não ser ocasião de pecado para o homem”.
Vista superficialmente parece tão robótica esta regra, que parece espantar – em vez de inspirar – qualquer menina! É preciso no entanto remar mar adentro e tentar descobrir nesta regra a sua motivação última, e por tanto, a mais profunda: o amor. O amor encarnado – vivido no corpo – pelo meu irmão. Sim, pela minha fé cristã cada homem é meu irmão (mesmo que ele não seja consciente disso) e por amor a ele, porque lhe desejo o melhor – a ponto de aceitar um sacrifício para o seu bem – eu decido livremente me vestir de forma a jamais ser causa de tropeço para ele.
Se a autora Kathleen van Schaijik teve a experiência de que os homens lendo isso digam: “não sei que tipo de caras saem com você, mas falando por mim, isso [vestido-saia acima do joelho] não é grande coisa”, eu pelo contrário, escutei dramáticas experiências de relatos de homens que estão simplesmente saturados com esta moda–mulher–objeto que invandiu de tal forma as ruas e vitrines que parece não haver outro “estilo”, e se sentem ofendidos sim quando a mulher mostra para ele, o que somente seu esposo deveria ver. Não porque seja feio! Jamais! E sim porque é muito belo, e está relacionado com o momento mais íntimo de um matrimônio, momento no qual eles se unem “numa só carne”.
Se algum homem está tão mal acostumado com a indecência das roupas das mulheres que se tornou apático, ainda creio que a maioria dos homens mostram sua nobreza na luta contra qualquer “costume” de ver as mulheres como objeto e clamam por sua – nossa - ajuda!!!
Se nós não ajudarmos os nossos irmãos, será uma luta desigual. Como disse meu irmão Jener Paulo, “uma mulher mal vestida pode arruinar mil homens” e se pensamos na mídia, e na exposição em vídeo-clips, internet, e filmes este número chegam a milhões.
O plano de Deus para a mulher é claro: guiar ao homem sendo assim uma “ajuda adequada” (Gn 2, 20), para elevá-lo e não arruiná-lo moralmente. Após o pecado original as misérias da natureza humana exigem um cuidado todo especial na hora de nos vestir, e não raro exigirá da mulher algum sacrifício, pois a modéstia – que rege o vestir – é uma virtude e após o pecado toda virtude nos exige sacrifícios. E longe disso ser ruim, é uma maneira privilegiada de nos unir a Cristo. Por amor a Cristo que nos deu esta missão tão grande e por amor a nossos irmãos, estejamos pronta a qualquer sacrifício pelo bem atual e eterno deles. Com isso nós também ganhamos, pois quem de nós não deseja refletir e beleza divina?
Peçamos a Santa Perpétua que na hora do seu martírio ia “arrumando a roupa de maneira que não desse escândalo a ninguém por parecer pouco coberta” e estejamos confiantes que é possível ser modesta com alegria, até nas horas dos grandes sacrifícios!
Santa Maria Puríssima, a Nova Eva, ora pro nobis.
09/06/2009 às 8:24 pm |
Realmente Julie, queremos ser belas e, nós que somos religiosas, queremos também refletir um pouco da beleza de Deus! Mas para isso é preciso ter amor também (aliás amor é tudo, não? rsrsrs).
A luta contra os modismos destrutivos é árdua e cansativa. Mas se cada mulher fizer a sua parte…
Gostei muito de de você ter escrito sobre os textos, eu também estava pensando em fazer isso, só preciso de um tempinho para colocar no papel.
Ainda tenho muito o que aprender sobre o assunto, mas já tenho muito o que pensar.
Bom, vou tratar de escrever sobre o assunto e postar no blog! rsrs
Abraço!
09/06/2009 às 10:27 pm |
Espero com ansiedade seu post
Obrigada pelo comentário!
Acho que o equilibrio não é fácil mas a meta é alta… a dignidade da mulher! Então todo esforço vale a pena!
Abraços Andrea,
JM
15/06/2009 às 6:26 pm |
[...] Terceira Posição sobre Modéstia [...]