Este artigo é um e-mail- resposta do José Roldão, que eu pedi permissão para publicar aqui.
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As pessoas não sabem distinguir entre ser feminina e ser sexy. Hoje, quando uma mulher é chamada de «sexy» soa como um elogio e, pior, não conheço pessoalmente uma mulher que não goste de ser taxada assim. Para ser feminina não se pode, de modo algum, ser sexy. É contraditório, do ponto de vista cristão. Ser «sexy» é o mesmo que dizer que se deseja estar «excitante» para os homens. E sair por aí excitando homens, convenhamos, não é nada cristão. Na verdade, sair para excitar homens é o trabalho de prostitutas, por mais que esse argumento seja duro. Elas, as prostitutas, precisam expor o corpo ao máximo para excitar o homem o bastante, o bastante para fazê-los desejá-las, «custe» o que custar.
Eu acho (é minha opinião somente) que o tema da veste da mulher não deve ser dita ou questionada de forma direta, digo, nos efeitos. Penso que se deve trabalhar por um esclarecimento quanto às causas, pegando as raízes do problema. Já li alguns testemunhos (e conheci outros pessoalmente) nos quais as pessoas mudaram o vestuário não porque alguém disse que aquelas roupas eram indecentes, mas por que surgiu nelas uma consciência cristã que desaprovava aquele modo de vestir. Não acredito que uma mulher vá mudar suas roupas porque alguém diz que são indecentes. Ao contrário, ela mesma deve sentir esse desejo de mudar seu vestuário por que primeiramente percebeu em seu coração que deve mudar. Creio que um novo vestuário deva estar disponível, bem visível, preparando o terreno para as pessoas que venham a mudar sua consciência a esse respeito.
Por causa dessa minha visão pessoal, eu acredito que quando uma pessoa chega e questiona aquela apresentação ou algum texto sobre a modéstia cristã, sobre calças etc., enfim, não se tem como «convencê-la» de que a calça ou as roupas decotadas são indecentes. Não tem porque a pessoa que critica o faz a partir de sua visão comum, mundana – é o que ela acredita naquele instante: no consenso. Essa pessoa não consegue encaixar essa modéstia em seu mundo porque o sistema de regras de seu mundo está embasado por muitos: pela mídia, pelas escolas, por seus amigos, pela família etc.
O único remédio é a conversão. Elas não vão se converter por mudar a maneira de se vestir, ao contrário, elas vão mudar a maneira de vestir por que se converteram. Nas audiências da Teologia do Corpo vemos sempre que João Paulo II parte do princípio, e também das causas. Ele mostra a nobreza do corpo para que você o trate com nobreza; ele não ataca o modo de vestir ou oferecer o corpo justificando o erro disso posteriormente, ao contrário: ele parte do princípio, para gerar a consciência do sentido esponsal do corpo. Tendo esta conciência, todo o resto se acomoda.
Eu (mais uma vez enfatizo que é opinião pessoal) acredito que todos os nossos trabalhos sobre pureza e modéstia servirão quase que em sua totalidade para os já convertidos. Estes mudaram as bases de reflexão e análise, mudaram o modo de ver o corpo ou pretendem encontrar o apoio necessário para concretizar essa mudança e sustentá-la. E mesmo entre cristãos esse assunto vai encontrar muitas recusas e críticas. Isso porque a conversatio, conforme nos ensina São Bento, e que quer dizer no caso específico da Regra a «conversão dos costumes», é um processo que pode ser levado a cabo imediatamente (conversão total e radical de alguns santos, por exemplo), mas que em sua maioria se mostra como um processo de certa forma longo e sofrido.
O fato é que as pessoas se contentam com pouco, mesmo quando se trata de religião. Isso faz com que muitos aceitem a Igreja, mas apenas em parte, na medida em que se sentem satisfeitos consigo mesmos, numa medida pessoal quanto à vontade de Deus. São poucos os que se cobram muito ou vigiam permanentemente.
Esse livro todo aí em cima é só para explicar porque eu acho que nesse assunto específico, principalmente nesse assunto (moda e modéstia), só se pode ensinar pelo exemplo. E para dar o exemplo é preciso já estar convertido. Por causa disso não acho que seja frutuoso debater com quem não é cristão, isto é, com quem segue a cartilha do mundo. Parece-me perda de tempo, além de ser desgastante.
Estou sendo muito pessimista? Pode falar…
PAX
José Roldão
28/08/2009 às 4:14 pm
Oxi, falou tudo o José Roldão. Infelizmente, ainda me enquadro nos que seguem os padrões do mundo. Em parte. Acho que já é um começo.
28/08/2009 às 7:57 pm
Sim, é. E na medida em que você “querer ver” o plano de Deus para a mulher… você verá como as escamas caem..mesmo que a mudança do guarda-roupa seja lenta! Parte da minha experiência (que é continua pois aprendo todo santo dia neste tema!) afirma que isso acontece mesmo
Pax
JM