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Maria Mariana: “Confissões de Mãe”

mariamarianadivA escritora carioca que foi ícone da juventude nos anos 90 volta a polemizar com “Confissões de mãe”
Martha Mendonça
Fonte: Época
Aos 19 anos, a carioca Maria Mariana tornou-se um ícone da década de 90. Seu livro Confissões de adolescente, lançado em 1992, vendeu 200 mil cópias, virou peça de teatro e tornou-se um memorável seriado de televisão. Aos 36 anos, distante da fama e mãe de quatro filhos, a escritora, atriz e filha do cineasta Domingos de Oliveira lança Confissões de mãe (Editora Agir), um livro nada rebelde, recheado de ideias que vão irritar as feministas. Nesta entrevista, realizada em Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, onde mora hoje, ela defende as mães que deixam de trabalhar para cuidar de seus filhos. “Amamento há nove anos seguidos”, afirma. Com a mesma expressão serena que as pessoas se acostumaram a ver na série de televisão, a escritora diz ser contra o aborto e afirma que as mulheres deprimidas depois do parto são as que passaram a gravidez comprando roupinhas para o bebê
ÉPOCA – O que a adolescente dos anos 90 e a mãe de quatro filhos têm em comum?
Maria Mariana –
Mudei muito, mas algumas coisas ficaram. Acredito que uma delas seja a criatividade no dia a dia. Eu sei fazer de um limão uma limonada. Tenho sempre um coelho na cartola, um assunto engraçado numa hora chata, uma forma de tornar aconchegante um ambiente ou uma situação difícil. Isso vem também do fato de eu adorar ser mãe. Mas a maternidade está em baixa.

ÉPOCA – Por que você diz isso?
Maria –
O valor de ser mãe não está sendo levado em conta. Sinto isso há quase dez anos, desde que eu decidi parar todas as minhas atividades para ter filhos e cuidar deles. A pressão foi inimaginável e veio de todos os lados. Da família, dos amigos, de quem mal me conhecia. Muita gente me perguntou se eu estava deprimida ou tinha síndrome de pânico. Meu pai também custou a entender. Eu era bem-sucedida, e largar a fama é um absurdo para as pessoas. Se alguém saiu da mídia por vontade própria, é porque tem algum problema grave. A verdade é que eu só descobri o que é trabalhar depois de ser mãe! Ser mãe é um trabalho social, o maior deles. É um esforço para garantir a criação de indivíduos de valor, mentalmente sadios, que contribuam para o bem geral. Pessoas equilibradas, educadas, que consigam se manter. Quando pequeno, o filho precisa de atenção especial e exclusiva. É nesse período que se formam a base do que ele será, o caráter, os valores. Depois, é difícil consertar.

ÉPOCA – Como foi sair de uma vida badalada no Rio para uma cidade pequena?
Maria –
Eu trabalhava como roteirista, sempre amparada pela sombra do sucesso de Confissões de adolescente, mas alguma coisa não estava fechando. Tive um primeiro casamento, dos 20 aos 23 anos, que não deu certo. Depois fui morar sozinha e tinha a impressão de que a vida se movia em círculos. Ao mesmo tempo, sempre tive a obsessão de ter filhos. Quando meus pais se separaram, eu estava com 7 anos e passei a viver com meu pai. Era filha única, muito madura, lia Dostoiévski e estava sempre cercada por amigos intelectuais dele. Mas eu sonhava com uma enorme mesa de família com aquela macarronada no domingo. Eu queria mudar de degrau, mudar de história. No meio disso tudo, conheci o André, meu marido. Um mês depois, estava grávida. Todos os meus filhos foram planejados. A primeira, Clara, foi de cesariana, o que foi uma decepção para mim. Os outros foram de parto normal.

ÉPOCA – No livro, você diz que mulheres que não conseguem o parto normal estão “envolvidas com pequenas questões de ego”. Explique.
Maria –
Respeito a história da maternidade de cada mulher. Mas, depois que tive o parto normal, vi que é uma vivência fundamental. Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor. Todos falam do nascimento do bebê, mas esquecem que a mãe também nasce naquela hora. A mulher também tem de estar focada na amamentação.

“Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão
é um aprendizado de paciência e dedicação

ÉPOCA – A maioria das mulheres não está preocupada em amamentar?
Maria –
Muitas não estão. Amamentar não é um detalhe, é para a mãe que merece. É importante e simplifica a vida. Vejo muitas mulheres com preocupações estéticas, se o peito vai cair, se vai ficar alguma cicatriz se o peito rachar. Aí o leite não vem. Amamento há nove anos seguidos. Só desmamo um quando engravido do outro. Minha caçula, de 2 anos, ainda mama. Existe a realidade de cada um, mas é preciso elevar a consciência sobre o que fazemos. Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.

ÉPOCA – Você não teme ser repreendida pelas feministas?
Maria –
Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. Todos merecem respeito, espaço. Mas o homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. São habilidades diferentes. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme.

ÉPOCA – Mas você não valoriza a emancipação da mulher?
Maria –
Valorizo. Teve seu momento, foi fundamental para abrir espaços, possibilidades. Mas as necessidades hoje são outras. Precisamos unir a geração de nossas avós com a de nossas mães para chegar a um equilíbrio feminino. Eu não sou dona da verdade. Não à toa, fiz meu livro como um diálogo entre mim e minha filha. Quero dizer às jovens do mundo de hoje que existe uma pressão para que elas sejam autossuficientes profissionalmente, sejam mulher e homem ao mesmo tempo, como se fosse a única forma de realização. Para isso, elas têm de desenvolver agressividade, frieza – sentimentos que não têm a ver com o que é ser mãe. O valor básico da maternidade é cuidar do outro, doar, servir. Nada a ver com o mundo competitivo. Maternidade é tirar seu ego do centro.

ÉPOCA – O que pensa sobre o casamento?
Maria –
Casamento é um degrau que a pessoa tem para caminhar para a frente. Quem opta por ficar sozinho não desenvolve aprendizados que o casamento dá. Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação. As pessoas pensam em união apenas como o espaço da alegria, do conforto. Casamento é embate, negociação e paciência. É preciso insistir e vencer. Saber que não se muda o outro. É preciso mudar a nós mesmos.

14 Respostas para "Maria Mariana: “Confissões de Mãe”"

Adorei a entrevista! Foi uma agradabilíssima surpresa!

Indico este link para lerem interessantes comentários sobre a entrevista

PAX

Julie Maria

Excelente artigo.
Maria Mariana com certeza é uma mãe exemplar e com esta entrevista ajuda a iluminar um pouco as trevas da nossa sociedade contaminada pelo feminismo.
Parabéns, Maria Mariana!

UAU!

Isso é o que considero “tapa com luva de pelica”!

Pelo andar da carruagem, pensava que não veria mais esse tipo de experiência sendo exposta pela mídia. Parece que a patrulha feminista da revista vacilou, não? rrsrsrsrs!…

Caro irmão… os anjos devem ter trabalhado muito para esta entrevista ter saído!!!

E tem mais.. este artigo abaixo eu pedi para o Daniel revisar minha tradução (revisar e escrever um monte de palavras que eu não consegui achar!) e assim que eu tiver eu gostaria que você publicasse no seu blog. Louvei a Deus tanto por este testemunho…. é tão dolorido ler sua história e e tão emocionante ver a luz brilhar no meio desta escuridão… esta mulher, mãe e esposa – a Rebeca Walker tem autoridade para falar tudo isso… e pode escrever: um Novo Feminismo vem com tudo aí! Para glória de Deus e salvação das almas.

Onde abunda o pecado………….. já sabemos, Deus é mais com sua graça!!!!!!!

LInk em inglês: http://www.dailymail.co.uk/femail/article-1021293/How-mothers-fanatical-feminist-views-tore-apart-daughter-The-Color-Purple-author.html#comments

PAX irmão! E Viva a Mãe e Rainha de todas nós!

Julie Maria

UAU de novo!…

O bloguinho está à disposição, Julie… Ele foi criado para isso mesmo: dizer a verdade que não dizem por aí!

Deus continue abençoado seu apostolado…

Toda Paz e todo Bem!

[...] Leia e se deleite com esta linda entrevista da Maria Mariana (sim… aquela que escreveu Confissões há 17 anos atrás) e veja a obra que [...]

Parabéns! Como é gratificante identificar-se com você e com seu valores.

Querida Simone, que gratificante conhecer pessoas, mesmo de modo ainda virtual, que conseguem vislumbrar um futuro mais digno para as mulheres!

Obrigada e volte sempre!

Ah, se puder visite os outros sites, especialmente o canal vida e castidade no you tube com vídeos do C. West e o site Teologia do Corpo!

Pax

Julie Maria

Eu nem sabia que a Maria Mariana tinha todos esses filhos. As vezes eu a vejo naquela série Menino Maluquinho e realmente ela tem mesmo esse jeito maezona no video contracenando com o personagem.

Enquanto pessoa publica existe o direito de partilhar suas experiencias, mas não generalizar algumas percepeções. Isso cabe apenas aos especialistas.

“Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.”

A idéia é válida, tem sentido, mas a conclusão é incorreta. Depressão pós parto é um problema psiquiatrico que não tem haver com futilidades e deve ser respeitado e tratado. Eu trabalho em um ambulatorio de saúde mental e por causa de comentários comos este e similares que as pessoas deixam de se tratar ou procuram ajudam tardia.

“Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor” Isso tbem não é uma verdade. O parto normal é o melhor por respeitar a natureza, mas não é determinante da qualidade da maternidade. O que é fundamental neste primeiro momento é não quebrar o vinculo mãe-bebê logo após o parto, a prova disso é a mãe canguru e o parto humanizado e todo histórico de vida da mãe e suas relações de apoio.

O que quero dizer é que os testemunhos são importantes, mas temos que saber como nos colocar, e é um aprendizado que eu tbe estou fazendo. Há coisas que são válidas apenas para mim e para meu circulo social próximo. As generalizações só servem se fundamentadas documentalmente por especialistas.

Em situações publicas as palavras devem sempre serem bem escolhidas, para as boas ideias não se perderem.

…………

O caso da Claudia Leite é um caso interessante dentro dos argumentos que Maria Mariana traz. A meningite do filho dela foi um sinal de que a vida não tem como ser a mesma, mesmo podendo contar com babás e etc. E aí refletir sobre as escolhas de vida. Eu não sou casada, mas sempre comento com a Julie nos e-mails que tenho amigas muito bem casadas, que trabalham, tem doutorado, e que as coisas não se excluem, tudo se soma se vc souber gerenciá-las e tiver um excelente marido (alto nivel educacional, amoroso e participativo nas atividades domesticas). É possivel sim ser mãe, doutora e profissional. Mesmo no caso de artistas, tem muitos que têm vida familiar estável, 2-3 filhos e tudo é uma questão de organização.

O melhor mesmo é o meio termo, e cada um sabe qual é o seu. O “tem que” é o que faz a vida ser um peso e aciona as resistencias. No mundo há lugar para todos os tipos de mulheres: as donas de casa, as profissionais, as cientistas, as religiosas, etc.

O que eu as vezes me pergunto é se o novo feminismo não pode levar a um retrocesso social, onde a mulher vai perder seu poder social. As mulheres bem escolarizadas e financeiramente independentes incomodam, porque têm poder de escolha e apenas homens especiais sabem lidar com isso (infelizmente são poucos).

A mulher deve ser preparada para tudo e individualmente no seu processo vocacional ela toma sua decisão: nem ao céu e nem a terra, mas sim o equilíbrio.

Dani, que bom que você escreveu aqui pois seus comentário são sempre bem fundamentados (mesmo quando não concordamos uma com a outra!) e é este tipo de debate que precisamos levar para as mulheres, debates com conteúdo.

Interessante algumas de suas anotações a respeito das duas mamães, Maria Mariana e Claudia Leite.

Espero responder em breve minha opinião.

Um abraço.

volte sempre!

Julie Maria

ah! Se puder deixar seu comentário no testemunho da Rebecca agradeço!!!

Concordo com a Dani que alguns comentários da Maria Mariana podem levar a generalizações perigosas. Tive meu bebê por cesárea. 16 horas de trabalho de parto resultaram numa dilatação de menos de 4 cm… Trabalhei bem essa questão porque meu médico era maravilhoso, e eu sabia que ele tentaria o parto normal enquanto fosse possível. Não foi. Eu sempre quis ter um parto normal, tinha um discurso inflamado. Hoje reconheço que o buraco é mais embaixo, e sei o provável porquê de não ter conseguido. Não foi nenhuma questão egoísta, talvez a melhor definição seja medo e insegurança por ter passado nove meses sozinha e a única referência que tive na hora do parto foi minha mãe, duas cesáreas e nenhuma simpatia pelo parto normal. Não culpo minha mãe (ela me dá uma chinelada se souber que eu coloquei isso aqui kkkkk), mas saber que ela comparava a todo momento o MEU trabalho de parto com os dela, há mais de 30 anos atrás, fez minar um pouco minha confiança.

Já em relação ao novo feminismo, Dani, não se preocupe: se nos tirarem todos os cargos de todos os setores produtivos e políticos, ainda assim NÃO HÁ PODER SOCIAL maior que SER MÃE!

“NÃO HÁ PODER SOCIAL maior que SER MÃE!

É Karina, você entende bem o papel insubistituível da mãe!!! Precisamos desta luz em cima dos telhados!

paz

JM

[...] tem a ver com a outra? Desde quando dar de mamar acaba com a vida sexual de alguém? Aposto que Maria Mariana daria uma boa resposta a essa modelo… Artigo original do Maria [...]

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