Por Rebecca Walker Tradução Julie Maria e Daniel Pinheiro
23 de Maio de 2008

Rebecca Walker
Outro dia eu estava passando aspirador quando meu filho veio correndo no quarto. “Mamãe, mamãe, deixa eu te ajudar”, ele gritou. Suas pequeninas mãos envolveram meus joelhos e seus grandes olhos marrons estavam olhando para mim. Uma grande explosão de felicidade tomou conta de mim.
Amo o jeito como sua cabeça se aninha na dobra do meu pescoço. Amo o jeito como seu rosto se transforma numa máscara de ansiosa concentração quando eu o ajudo a aprender o alfabeto. Mas, acima de tudo, eu simplesmente amo ouvir sua voz de criança me chamando: ‘Mamãe, mamãe”.
Isso me faz lembrar quão abençoada eu sou. A verdade é que quase perdi a chance de me tornar mãe, por ter sido criada por uma feminista fanática que me ensinou que a maternidade era a pior coisa que podia acontecer a uma mulher.
Veja, minha mãe me ensinou que as crianças escravizam as mulheres. Eu cresci acreditando que crianças eram somente um grande peso na vida e que a idéia da maternidade ser capaz de lhe fazer totalmente feliz era uma completa ilusão, um conto de fadas.
De fato, ter um filho tem sido a experiência mais gratificante de toda a minha vida. Longe de me “escravizar”, o meu filho Tenzin de três anos e meio tem aberto o meu mundo. Meu único arrependimento é ter descoberto as alegrias da maternidade muito tarde. Venho tentando ter um segundo filho há dois anos, mas até agora sem sorte.
Fui criada para acreditar que mulheres precisam de homens como um peixe precisa de uma bicicleta. Mas sinto fortemente que a criança precisa dos dois e o pensamento de criar Tenzin sem o meu companheiro Glen, 52 [anos], seria aterrorizador.
Como filha de pais separados, eu agora sinto muito bem as consequências dolorosas de ter sido criada naquelas circunstâncias. O feminismo tem muito o que responder pela degradação do homem e por encorajar as mulheres a buscar independência, qualquer que fosse o custo para suas famílias.
Os princípios feministas da minha mãe influenciaram todos os aspectos da minha vida. Quando eu era criança pequena, não tinha permissão nem de brincar com bonecas ou qualquer brinquedo que poderia fazer surgir em mim o instinto maternal. Estava impregnado em mim que ser mãe, educar uma criança e ser dona de casa era uma forma de escravidão. De acordo com ela, ter uma carreira, viajar o mundo e ser independente era realmente o que importava.
Amo muito a minha mãe, mas não a vi nem falei mais com ela desde que engravidei. Ela nunca viu meu filho, seu único neto. Meu crime? Ousar questionar sua ideologia.
Bom, então que seja assim. Talvez minha mãe seja reverenciada por mulheres de todo o mundo – muitas até podem ter um trono para ela. Mas honestamente creio que é hora de quebrar o mito e revelar como era de fato crescer como uma criança fruto da revolução feminista.
Meus pais se conheceram e se apaixonaram em Mississippi durante o movimento dos direitos civis. Meu pai [Mel Leventhal] era um advogado brilhante, filho de uma família judia que fugiu do holocausto. Minha mãe era a empobrecida oitava filha de um casal de lavradores da Geórgia. Quando eles se casaram em 1967, casamentos multi-raciais ainda era ilegais em alguns Estados.
Os primeiros anos da minha infância foram muito felizes, apesar de que meus pais eram terrivelmente ocupados, encorajando-me para que eu crescesse rápido. Eu tinha apenas um ano quando fui para a creche. Até me contaram que eles me fizeram caminhar pelas ruas até a escola.
Quando eu tinha oito anos, meus pais se divorciaram. Desde então eu estava entre dois mundos – a comunidade branca, rica, muito conservadora e tradicional de um subúrbio em Nova York, e a comunidade multi-racial progressista da minha mãe na Califórnia. Eu ficava dois anos com cada um – um jeito bem esquisito de fazer as coisas.
Ironicamente, minha mãe tem a si mesma como uma grande mulher maternal. Por acreditar que as mulheres são esmagadas, ela fez campanha pelos direitos feministas por todo o mundo e levantou organizações para ajudar mulheres abandonadas na África – oferecendo a si mesma como uma figura de mãe.
Mas, apesar dela ter cuidado de filhas por todo o mundo e ser altamente reverenciada pelo seu serviço e trabalho público, minha infância conta uma historia bem diferente. Eu estava entre uma de suas últimas prioridades – depois do trabalho, da integridade política, auto-satisfação, amigos, vida espiritual, fama e viagens.
Minha mãe sempre fazia o que ela queria – por exemplo, tirar dois meses de férias na Grécia durante o verão, me deixando com parentes quando eu era adolescente. Isso era independência ou simplesmente egoísmo?
Eu tinha 16 anos quando encontrei um [seu] poema, agora famoso, que me comparava com as diversas calamidades que atrapalhavam e impediam a vida de outras mulheres escritoras. Virginia Woolf era mentalmente doente e os Brontes morreram prematuramente. Minha mãe me tinha como uma “deleitosa distração“, mas ainda assim uma calamidade. Aquilo foi um grande choque para mim, e muito irritante.
De acordo com a ideologia estritamente feminista dos anos ‘70, as mulheres eram primeiramente irmãs, e minha mãe escolheu me ter como sua irmã, em vez de sua filha. A partir dos meus 13 anos, passei a ficar vários dias sozinha enquanto minha mãe se retirava para trabalhar em seu escritório, a umas 100 milhas de distância. Ela me deixava dinheiro para comprar minha própria comida e eu vivia uma dieta de fast food.
Irmãs juntas
Uma vizinha, não muito mais velha que eu, foi encarregada de tomar conta de mim. Nunca reclamei. Eu via como obrigação – meu trabalho – proteger minha mãe e nunca a distrair dos seus escritos. Nunca passou pela minha cabeça dizer que eu precisava de um pouco de seu tempo e de sua atenção.
Quando me batiam na escola – acusada de ser esnobe por ter a pele um pouco mais clara que a de minhas colegas negras – eu sempre dizia para minha mãe que tudo estava bem, que eu tinha ganho a briga. Não queria preocupá-la.
Mas a verdade é que eu era muito solitária e, com o conhecimento da minha mãe, comecei a ter relações sexuais com 13 anos. Acho que foi um alivio para a minha mãe, já que isso significava que eu demandaria menos atenção dela. E ela sentiu que ser sexualmente ativa me dava poder porque isso significava que eu estava no controle do meu corpo.
Agora, simplesmente não entendo como ela pôde ser tão permissiva. Eu mal quero deixar meu filho sair de casa para um encontro com amigos e deixá-lo dormir por aí sozinho fora de casa, sendo ele ainda um garoto que acabou de sair da escola fundamental.
Uma boa mãe é atenta, coloca limites e faz o mundo ser mais seguro para a criança. Mas minha mãe não fez nenhuma destas coisas.
Embora estivesse usando a pílula – algo que eu arrumei aos 13 visitando o médico com minha melhor amiga – fiquei grávida aos 14. Eu organizei um aborto sozinha. Agora estremeço com essa lembrança. Eu era apenas uma pequena menina. Não me lembro da minha mãe ter ficado assustada ou triste. Ela tentou apoiar me acompanhando com seu namorado.
Mesmo acreditando que o aborto naquele momento era a decisão certa para mim, as consequências me assombraram por décadas. Tirou minha auto-confiança e, até ter meu filho Tenzin, eu estava aterrorizada com a idéia de que nunca conseguiria ter um bebê pelo que eu fiz com a criança que destruí. Pois é simplesmente errado o que as feministas dizem, que o aborto não tem consequências.
Quando criança, eu estava terrivelmente confusa, porque enquanto estava me alimentando de uma mensagem fortemente feminista, eu na verdade desejava uma mãe tradicional. A segunda esposa do meu pai, Judy, era uma amável dona de cada com cinco crianças que ela amava loucamente.
Sempre tinha comida na geladeira e ela fazia tudo o que minha mãe não fazia, como ir aos eventos da escola, tirar mil fotografias e dizer às suas crianças a cada momento quão maravilhosas elas eram.
Minha mãe estava no pólo oposto. Ela nunca veio em nenhum evento da escola, ela nunca comprou nenhuma roupa para mim, ela sequer me ajudou a comprar meu primeiro sutiã – uma amiga foi paga para ir comprar comigo. Se eu precisava de ajuda com minha tarefa escolar, perguntava para o namorado da minha mãe.
Mudar de uma casa para a outra era terrível. Na casa do meu pai me sentia bem mais cuidada. Mas, se dissesse para minha mãe que eu tinha passado bons momentos com a Judy, ela me olhava desconsolada – fazendo-me sentir que, ao invés dela, eu estava escolhendo esta mulher branca e privilegiada. Fui ensinada a sentir que tinha que escolher um esquema de idéias, acima de outro.
Quando cheguei na casa dos 20 anos e senti pela primeira vez um desejo de ser mãe, fiquei totalmente confusa. Eu podia sentir meu relógio biológico fazendo tic-tac, mas sentia que, se o escutasse, estaria traindo minha mãe e tudo o que ela tinha me ensinado.
Tentei tirar isso da cabeça, mas durante os dez anos seguintes o desejo ficou mais intenso, e quando conheci o Glen, um professor, numa conferência há 5 anos atrás, sabia que tinha encontrado o homem com o qual eu queria ter um bebê. Ele é gentil, carinhoso, me apóia em tudo e, como eu soube que seria, ele é o mais maravilhoso dos pais.
Mesmo sabendo o que minha mãe sentia por bebês, eu ainda tinha esperança que, quando lhe contasse que estava grávida, ela ficaria alegre por mim.
Mãe, estou grávida
Em vez disso, quando liguei para ela numa manhã de primavera de 2004, enquanto eu estava em uma de suas casas cuidando dos afazeres domésticos, e lhe contei minha novidade e que nunca tinha estado tão feliz, ela silenciou. Tudo o que ela pôde dizer é que estava chocada. Ela então perguntou se eu poderia cuidar do jardim. Desliguei o telefone e chorei convulsivamente – ela tinha se recusado a dar sua aprovação com a intenção de me machucar. Qual mãe amorosa faria isso?
O pior ainda estava por vir. Minha mãe se ofendeu com uma entrevista na qual mencionei que meus pais não me protegiam nem se preocupavam comigo. Ela me mandou um e-mail ameaçando minar minha reputação como escritora. Eu não podia acreditar que ela seria capaz de ser tão ofensiva – particularmente quando estava grávida.
Devastada, eu lhe pedi que se desculpasse e reconhecesse o quanto ela tinha me machucado durante os anos com negligência, não me dando afeto e me culpando por coisas que eu não tinha controle – o fato de ser fruto de uma mistura de duas raças, de ter um pai rico, branco e profissional e até mesmo pelo simples fato de ter nascido.
Mas ela não voltou atrás. Em vez disso, ela me escreveu uma carta dizendo que nossa relação foi, durante muitos anos, inconseqüente, e que ela não estava mais interessada em ser minha mãe. Ela até assinou a carta com o seu primeiro nome, em vez de “mãe”.
Isso tudo foi um mês antes do nascimento de Tenzin, em Dezembro de 2004, e eu não tive contato com minha mãe deste então. Ela não fez contato nem quando ele foi levado para a unidade de terapia intensiva infantil, depois de ter nascido com dificuldades respiratórias.
E até ouvi falar que minha mãe me cortou de seu testamento em favor de um dos primos. Eu me sinto terrivelmente triste – minha mãe está perdendo uma grande oportunidade de estar junto de sua família. Mas também estou aliviada. Diferente da maioria das mães, a minha nunca teve orgulho das minhas conquistas. Ela sempre teve uma estranha competitividade que a levou a me inferiorizar em quase todos os momentos.
Quando entrei na Universidade de Yale – uma grande conquista – ela me perguntou porque raios eu gostaria de ser educada numa universidade ícone da masculinidade. Sempre que eu publicava algo, ela queria escrever a versão dela, tentando eclipsar a minha. Quando escrevi minha memória, “Negra, branca e Judia”, minha mãe insistiu em publicar a sua versão. Ela acha impossível estar fora do palco das celebridades, o que é extremadamente irônico à luz da sua visão de que todas as mulheres são irmãs e deveriam apoiar uma às outras.
Já se passaram quase quatro anos desde o último contato com minha mãe, mas é para o melhor – não somente para a minha auto-proteção mas para o bem-estar de meu filho. Eu fiz de tudo para ser uma filha leal, amorosa, mas não posso mais deixar que essa relação venenosa destrua a minha vida.
Sei que muitas mulheres estão chocadas pela minhas opiniões. Elas esperam que a filha de Alice Walker dê uma mensagem bem diferente. Sim, sem dúvida o feminismo deu oportunidades para as mulheres. Ajudou a abrir as portas para nós em escolas, universidades e nos locais de trabalho. Mas e os problemas que causou às minhas contemporâneas?
E as crianças?
A facilidade com que as pessoas se divorciam hoje em dia não leva em conta o prejuízo sofrido pela criança. Isso tudo é uma parte da incompleta empreitada feminista.
E depois tem a questão de não ter crianças. Até hoje eu encontro mulheres nos seus 30 anos que estão em dúvida sobre ter uma família. Elas dizem coisas do tipo: “eu gostaria de ter uma criança. Se isso acontecer, aconteceu”. Eu digo para elas: “Vá para casa e se esforce nisso porque sua janela de oportunidades é muito pequena”. Como eu sei muito bem.
Aí eu encontro mulheres nos seus 40 e poucos anos que estão devastadas porque gastaram duas décadas trabalhando num PhD ou se tornando sócias numa firma de advocacia, e perderam a chance de ter uma família. Graças ao movimento feminista, elas subestimaram os seus relógios biológicos. Elas perderam a oportunidade e estão lamentando.
O feminismo levou toda uma geração de mulheres a uma vida sem crianças. Isso é devastador.
Mas longe de tomar a responsabilidade por qualquer uma destas coisas, as líderes dos movimentos de mulheres se fecham contra qualquer um que ouse questioná-las – como eu aprendi com muito custo. Eu não quero machucar minha mãe, mas não posso ficar calada. Eu acredito que o feminismo é um experimento, e todo experimento precisa ser avaliado pelos seus resultados. E então, quando você vê os enormes erros que custaram, você precisa fazer alterações.
Espero que minha mãe e eu nos reconciliemos um dia. Tenzin merece ter uma avó. Mas estou simplesmente muito aliviada por meus pontos de vista não estarem mais sendo influenciados pela minha mãe.
Eu tenho minha própria feminilidade, e descobri o que realmente importa – uma família feliz.
13/05/2009 às 4:11 am |
[...] Como o feminismo da minha mãe nos dividiu [...]
13/05/2009 às 5:20 pm |
[...] Por favor leiam e divulguem este testemunho! [...]
13/05/2009 às 8:25 pm |
Olá, Julie!
Que post maravilhoso!!!
Nossa!!!!!!! Muito forte!
Fortíssimo!
Gostei muito deste post! Parabéns!
Que Nossa Senhora de Fátima nos ensine a sermos mulheres de fato, santas e puras como ela.
Que a maternidade de Maria venha restaurar o lado materno de cada mulher.
Deus a abençoe
Giselle
14/05/2009 às 11:20 am |
[...] Como o feminismo da minha mãe nos dividiu, testemunho de Rebecca Walker. Longo, mas bonito. “Eu acredito que o feminismo é um [...]
14/05/2009 às 12:28 pm |
o erro, engano ou abuso de um indivíduo não deverria servir para o prejulgamento de um movimento importante e crucial no desenvolvimento humano.
a autora coloca muito bem que foi o feminismo da mãe dela, não o feminismo como um todo, como um movimento, como um ideal.
14/05/2009 às 7:45 pm |
Estimado Roberto,
o senhor está anganado. O feminismo como movimento já foi julgado pelos inúmeros erros que ele causou vendendo mentiras sobre a maternidade, família, filhos, matrimônio e etc. A Alice Walker é uma exponente do movimento e o que a sua filha retrata aqui é verdade para todas as filhas e filhos desta geração de feministas.
O feminismo, como bem bem explica Alice Von Hildebrand “The amazing thing is that feminism, instead of making women more profoundly aware of the beauty and dignity of their role as wives as mothers, and of the spiritual power that they can exercise over their husbands, convinced them that they, too, had to adopt a secularist mentality: They, too, should enter the work force; they, too, should prove to themselves that they were someone by getting diplomas, competing with men in the work market, showing that they were their equals and — when given opportunities — could outsmart them”.
O “ideal” do feminismo é puro veneno, e como bem disse a Emanuelle, são todas doentes e eu digo que merecem tratamento psicológico severo para voltar a normalidade.
O Novo Feminismo não é “novo” porque “surgiu agora” e sim porque Cristo faz novas todas as coisas e o Novo Feminismo não é nada mais que a eterna verdade da mulher no plano de Deus, antiga e sempre nova!!!
Lendo este artigo – http://modaemodestia.wordpress.com/novo-feminismo/ – você terá mais chances de ver o abismo que separa a luz das trevas, isto é, o novo feminismo e o velho.
PAX
Julie Maria
14/05/2009 às 12:46 pm |
Tenho a impressão de que essas mulheres feministas são doentes mal informadas: todo mundo sabe que elas são loucas, menos as próprias.
14/05/2009 às 1:20 pm |
[...] 14UTC Maio 14UTC 2009 in Uncategorized Tocante relato de Rebeca Walker, filha de Alice Walker, famosa feminista americana. Rebeca mostra o que é ser [...]
17/05/2009 às 11:19 pm |
OI Julie
Em atenção a seu pedido vou colocar um opinião sobre este artigo.
Já há uns dias ando me perguntando o que escrever que valha realmente a pena ser lido e pensei em algumas coisas:
1) Os casos extremos como o deste artigo, ele tem apenas um valor didático, mas não pode servir como parâmetro para defesa de uma causa- no caso, uma critica ao movimento feminista. Porque aqui são duas situações diferentes: uma mulher com um comportamento de hostilidade qto seu papel e na sua relação com sua filha, e um movimento/idedologia feminista onde esta mulher extravasa seu conflito interior. Por eu trabalhar na área de saúde mental eu tenho um palpite de que esta mulher, mesmo que não fosse feminista, ainda assim apresentaria o mesmo comportamento com a filha. Teria-se que buscar no seu histórico de vida o que aconteceu que levou a essa incapacidade e entrar em contato consigo mesma, suas emoções e até instintos, através da sua relação com a filha. Não é o feminismo que afastou essa filha de sua mãe. É algo mais interno…Mas deixemos este caso para Freud…..
2) Não me sinto gabaritada a opinar sobre o feminismo porque não é um assunto de meu interesse, e não conheço com profunidade, o que sei é um conhecimento de senso comum apenas: teve uma função importantissima na emancipação feminina, mas teve seu momento que já acabou faz tempo. O feminismo radical não faz o menor sentido há anos, o que cabe as mulheres é em conjunto com os homens e as outras mulheres administrar a liberdade conquistada: poder de escolha, o direito a vida inteligente/profissional e a independencia economica. A unica coisa que eu posso dizer é que graças a Deus colho os frutos: eu posso, trabalhar, estudar, casar unicamente por opção e não por não poder subsitir (isso é fato, as mulheres antigas não tinham como se sustentar, não podiam ir à escola e nem trabalhar, o casamento era a unica coisa que existia se quisesse comer todos os dias), e minha vida de mulher solteira tem dignidade.
Há anos existia um programa na TVE que se chamava Intervalo e era sobre história da propaganda brasileira. Me lembro de um programa que era sobre a representação da mulher na propaganda que é um reflexo da cultura. Não esqueço de uma propaganda de loja de móveis, e a atriz estava numa cozinha modulada vermelha e no final ela dizia sorrindo o grande difrencial da loja:”…e aqui vc não precisa pedir autorização para seu marido para comprar!” (mais ou menos isso). E o publicitário chamava a atenção de que o comercial era relativamente recente na época (o comercial era de1978 e qdo vi o programa era em meados de 1990-91) e que até no final dos anos 1970 na grande maioria das lojas as mulheres não podiam abrir crediário sem autorização do marido.
Na faculdade uma profa uma vez nos contava que no começo dos anos 1980 (!!!) ela não conseguia alugar casa para morar qdo ela dizia que era solteira, tamanho o preconceito, e ela ressaltava que ainda que ela ganhava muito bem e era profa de uma excelente universidade, imagina as outras…..
O que eu quero dizer Julie é que viemos sim de uma sociedade machista e para entender o movimento feminista e a questão da emancipação da mulher, temos que estudar com uma boa literatura o que de fato é esse movimento. Eu confesso que desconheço este assunto para discutir com a profunidade que seu site merece. Mas penso que vc poderia nos brindar de vez enquando com autores nacionais que traga a nossa realidade de mulheres brasileiras. Mas com o autor imparcial (visão academica) que discute fatos.
O ser mulher passa tbem pelas classes sociais…para a mulher pobre ser dona de casa e mãe tem um significado, para a mulher de classe média outro, e assim vai. Para o nosso caso, penso que a mulher de classe média brasileira é o meio termo interessante, que é uma mulher que é completa: alta escolaridade, tem vida profissional e valoriza a familia. Estas pelo menos são as mulheres que eu conheço e eu me incluo.
Lendo uns artigos do blog, penso que o Novo Feminismo causa um mal estar, resistencia, porque a imagem de senso comum que se tem deste ideal da mulher mãe-dona de casa-sem autonomia de renda é da mulher passiva diante do homem, sem direitos sociais e até mesmo sem direitos de cidadã em algumas épocas. Quando este imaginário for substituido este movimento vai ser acolhido de forma com mais brandura. Porém a grande missão de quem defende esta forma de viver stá nas palavras do Pe Zezinho:
” Um grande vocacionado não precisa falar muito: há qualquer coisa nele que convence, porque o grande vocacionado É; e de tanto SER não precisa dizer.
Se não puder provar com minha vida se precisei provar com palavras, é porque minha vida não falou com suficiente clareza.”
A vocação de cada um. Pe Zezinho, Paulinas, 1989
p. 80
Esta fala do Pe Zezinho serve para todos nós seja lá o ideal de vida que defendemos.
Divaguei um pouco era o que tenho para dizer.
Abraço
Dani
17/05/2009 às 11:30 pm |
Desculpes os atos falhos no texto, mas estou “comendo palavras” …..
Sabe qual o problema dessa discussão toda? É que ainda se associa a emancipação feminina com promiscuidade e falta de valores. Infelizmente tem mulheres que até hoje levam para este lado sua liberdade conquistada, mas não é justo nivelar as mulheres por baixo enquanto coletivo.
Tiro por mim e minhas amigas: mulheres que estão ocupadas trabalhando, cuidando da casa e dos filhos ou estudando, não têm interesse e nem tempo para discutindo bobagens do tipo aborto e similares. Podem ver que tem um perfil muito tipico as mulheres que defendem a liberdade sem responsabilidade.
Os neurônios servem para causas mais nobres……..
17/05/2009 às 11:40 pm |
sabe Julie, na graduação tive um professor que fala o seguinte:
“critica sem fundamento é xingo!”
Para fundamentar o meu lado de mulher que ama a liberdade vou me apoiar num documento papal que vc mesma dá como dica de leitura
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20040731_collaboration_po.html
CARTA AOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA SOBRE A OLABORAÇÃO
DO HOMEM E DA MULHER NA IGREJA E NO MUNDO
“Todas as vezes que venham a faltar estas experiências fundantes, é a sociedade no seu conjunto que sofre violência e se torna, por sua vez, geradora de múltiplas violências. Isso implica também que as mulheres estejam presentes no mundo do trabalho e da organização social e que tenham acesso a lugares de responsabilidade, que lhes dêem a possibilidade de inspirar as políticas das nações e promover soluções inovadoras para os problemas económicos e sociais.
A este respeito, não se pode, porém, esquecer que a interligação das duas actividades — família e trabalho — assume, no caso da mulher, características diferentes das do homem. Põe-se, portanto, o problema de harmonizar a legislação e a organização do trabalho com as exigências da missão da mulher no seio da família. O problema não é só jurídico, económico e organizativo; é antes de mais um problema de mentalidade, de cultura e de respeito. Exige-se, de facto, uma justa valorização do trabalho realizado pela mulher na família. Assim, as mulheres que livremente o desejam poderão dedicar a totalidade do seu tempo ao trabalho doméstico, sem ser socialmente estigmatizadas e economicamente penalizadas. As que, por usa vez, desejarem realizar também outros trabalhos poderão fazê-lo com horários adequados, sem serem confrontadas com a alternativa de mortificar a sua vida familiar ou então arcar com uma situação habitual de stress que não favorece nem o equilíbrio pessoal nem a harmonia familiar. Como escreve João PauloII, «reverterá em honra para a sociedade o tornar possível à mãe — sem pôr obstáculos à sua liberdade, sem discriminação psicológica ou prática e sem que ela fique numa situação de desdouro em relação às outras mulheres — cuidar dos seus filhos e dedicar-se à educação deles, segundo as diferentes necessidades da sua idade».”
Ou seja, é no processo de discernimento vocacional que a mulher vai susufruir de sua liberdade de escolha e aplicar para si a parábola dos talentos: quais são os meus talentos e como a Vida em convida a multiplicá-los? Não sou eu ou o outro quem tem que dizer que talentos frutificar. Ninguém tem o direito de me obrigar a enterrar meu talento…….É Deus no processo de escuta no discernimento vocacional que me guiará, me mostrará as evidencias.
E aproveitando a palavra do Papa: qual é a responsabilidade do homem na não realização da mulher no seu papel? Pra mim que estudo a área organizacional, é nitido que o homem não está isento nesta discussão…..mas isto fica para outra discussão.
Abraço
Dani
28/08/2009 às 1:08 pm |
Nossa, que relato de vida!!! Dani, sabemos que a luta das mulheres gerou alguns benefícios, o que acontece é que, nos dias atuais, há uma “escravidão” ao contrário. Se as mulheres de antigamente tinham como única opção casar (coisa que não é verdade, leia o Post sobre A Mulher na Idade Média http://filhaprodiga.wordpress.com/2009/08/12/a-mulher-na-idade-mdia/ ), hoje o sucesso profissional a qualquer custo é a única opção. A Mulher que deseja ser mãe é vista como fraca, perdedora, traidora, coitadinha. Além do mais, a mulher foi e esqueceu de preparar o homem para suas “férias”. Daí que a mulher, além do sucesso profissional, continuou a ser dona de casa, esposa e mãe (aquelas que se “atrevem”). E haja pique para a jornada integral!
Fora que ainda há a exigência de sermos máquinas do sexo, já que nos vendemos como tal.
Sinceramente, minha humilde opinião é de que o feminismo trouxe mais prejuízos que benefícios. Ainda acredito que o papel da mãe-educadora-esposa é, SIM, o mais importante ao qual a mulher pode se dedicar, uma vez que é só nesse papel que a mulher pode “comandar” o desenvolvimento dos cidadãos do futuro e “definir” o modo que ela deseja ser tratada pelos homens.
Mulheres de fibra talvez não precisem dos homens para se sustentar, mas sabem que viver com eles numa relação digna e respeitosa é bem melhor que ter que assumir para si todas as coisas boas, mas principalmente, todas as coisas chatas da vida. Mulheres de fibra conseguem fazer seus maridos respeitá-las não por ganharem mais, mas porque vêem nelas uma mulher completa e digna. Além disso, mulheres de fibra criam seus filhos homens para respeitarem a si mesmos e aos outros, principalmente outras mulheres. E criam suas filhas mulheres de modo que percebam como é bom ser mulher do jeito que DEUS criou.
28/08/2009 às 1:14 pm |
Ainda tem outro ponto. Antigamente, a família lutava pela honra da filha, ainda que de modo rude e às vezes meio intransigente. Ai do homem que fugisse da responsabilidade para com a família. Algumas podem até dizer: ah, mas os homens tinham seus casos. Eles podiam até ter casos, mas abandonar a família era coisa meio que impossível na vida deles, a cobrança era imensa.
Hoje, graças aos “avanços” sexuais, literalmente a mulher engravida porque quer, casa porque quer. Como dizem as feministas batendo no peito, a decisão é delas. E aí, minha filha, o homem não se sente obrigado a compartilhar dessas decisões. Ora, o casamento foi invenção dela, não minha, então na primeira oportunidade eu dou o fora. Ora, ela engravidou porque quis, eu que não quero ajudar na criação das crianças…
Digam se isso não faz sentido? Digam se não é assim que as coisas ficaram. Às mulheres toda a responsabilidade, aos homens toda a fanfarra!!! E viva o feminismo, dizem os homens rodeados de suas mulheres fruta siliconadas e turbinadas!
28/08/2009 às 1:26 pm |
Karina, realmente você veio para somar - e muito - com seu exemplo e sua fibra!
Tudo, exatamente tudo o que você disse, é a mais pura – e triste – verdade.
Poderíamos ter os “benefícios” de uma melhoria para a mulher sem ter que transformá-la nesta caricatura que vemos hoje na TV, nas revistas, nos cinemas. Olhei algumas revistas de moda nestes últimas e fico enojada com 99% das coisas que vejo e leio. Que decadência moral meu Deus!!! Está tudo tão ridicularizado para a mulher que deseja - livremente – ser mãe e esposa, como se ela fosse a coitada mesmo, como você bem disse. E ela é a mais privilegiada se souber o que implica sua vocação. Eis o problema de fundo Karina: quem sou eu? Para que nasci? Por que Deus me fez mulher? Qual minha missão?
Temas para um longo diálogo, né? Ah queria sentar, tomar um café e conversar contigo sobre isso!
15/11/2009 às 4:20 pm |
(…) gostaria de poder dar uma pequena contribuição para o leitor, leia, informe-se, converse sobre o assunto com outras pessoas, busque conhecer o assunto sobre o qual quer opinar, senão é melhor não dizer nada para ao menos não se expor, isso é humildade.
09/12/2009 às 10:54 pm |
Fabiana, o seu conselho vale primeiro para você mesma. Você teria que ler com atenção redobrada o texto que tentou criticar sem fundamentação, tendo presente a biografia de sua autora. e depois escrever algo com nexo. Ela com certeza sabe muito do feminismo, pois sua mãe foi uma das grandes defensoras dele. E você? Será que não está comprando gato por lebre?
O feminismo é contra a mulher, contra o casamento, contra a família.. Te deixo esta frase de uma delas:
“Ser esposa e dona de casa é uma profissão ILEGITIMA… a escolha para servir e proteger e que a mulher planeje ser uma mãe de família é uma escolha que não devia existir. O coração do feminismo radical é mudar isso.” FEMINISTA Vivian Gornick, feminist author, University of Illinois, “The Daily Illini,” April 25, 1981.)
Estude-o e comprovará por si mesma. Se você tem outra idéia do feminismo, então você está confundida: a “propaganda” que se vende do Feminismo não é o que ele é. Espero que um dia, logo logo, você possa ver isso com mais clareza.
Para começar, te indico, se quiser, este texto:
http://modaemodestia.wordpress.com/artigos/feminismo-e-feminilidade/
E que Maria, Mãe Virginal nos ajude nesta caminhada para redescobrir o dom da nossa feminilidade.
Paz