Publicado por: Julie Maria em: 17/06/2009
“A mulher é Bela. É a Beleza expressa em forma humana. Todas. Desde a menininha até a senhora. Tirando os doentes, ninguém deixa de ter um sentimento de reverência filial perante uma senhora ou de proteção paternal diante de uma menininha. E se podemos nos relacionar com essas mulheres de forma reverencial, por que não com as de nossa idade, por que não com as que foram abençoadas com uma beleza física mais notável?”
Neste link o Fábio Leite nos oferece uma perspectiva masculina sobre um dos aspectos do tema Moda e Modestía. Confira!
Julie, eu adorei esse texto do Fábio. Posso publicá-lo em meu blog? Tenho certeza que pode ajudar as meninas que o visitam
Abraço!
[...] A Julie Maria, do site Moda e Modéstia, publicou uma ótimo texto com a visão de um homem, Fábio Lins, sobre o modo de se vestir da mulher atual, sexualidade e [...]
17/06/2009 às 12:50 pm
Bom dia.
Segue um texto muito interessante e frutuoso escrito no fim do século XVII para as senhoras e senhoritas que ajudavam nas obras de caridade – Mons. Landriot (Arcebispo de Reims).
O texto é longo, na verdade é uma conferência transcrita, segue para a preciação.
Mulierem fortem quis inveniet? Procul et de ultimis finíbus pretium ejus. Confidit in ea cor viri sui, et spoliis non indigebit: Reddet ei bonum et non malum, omnibus diebus vitae suae.
Quem encontrará a mulher forte? Ela é mais preciosa que as pérolas que veem das extremidades do mundo. O coração do seu marido põe nela inteira confiança e não terá necessidade de riquezas estranhas. Ela dar-lhe-a o bem e não o mal durante os dias da sua vida. ( Prov. XXXI, 10-12)
Quem encontrará a mulher forte? – Mulierem fortem quis inveniet? O Senhor estabelece as suas obras duas a duas, diz a Sagrada Escritura, e o contraste é uma lei da criação: Intuere in omnia opera Altimissi: duo et duo et unam contra unum ( Eccl. XXXIII, 15).
Este contraste é frisantíssimo na criação do homem e da mulher, e na distribuição das suas qualidades diferentes. Ao homem, d’um modo mais especial, conferiu a inteligência, o conselho e a força; a mulher, a inteligência do coração, a flexibilidade. é certo que as riquezas d’uma destas duas maravilhosas criaturas não são completamente recusadas à outra: designo somente as qualidades que, segundo as leis ordinárias, dominam n’uma mistura, em que os dons são continuamente variáveis. Assim, a força não é geralmente tida como caráter próprio e predominante da mulher, o que, por sem dúvida, não é afirmar que a mulher não possa ser forte e corajosa, nem tão pouco que o homem em muitas circunstâncias não seja mais fraco que a mulher. Trata-se unicamente do que mais habitualmente se apresenta, do que resulta da constituição primitiva, dos dons especiais concedidos a mulher e da sua missão neste mundo.
…Quem encontrará a mulher forte? essa mulher que sabe beber n’uma quotidiana coragem e energia necessária para fazer face a todas as dificuldades da sua posição, aos enfados diários, as preocupações de todas as horas e as contrariedades incessantes? A mulher forte que resiste aos numerosíssimos embates da vida, as tristezas da família, aos atritos da vida interna e a todos os íntimos pezares, que, semelhantes as legiões de insetos do outono, de contínuo cercam o coração da mulher?
A mulher forte, que preside com impertubável sabedoria aos trabalhos da sua casa, as minudencias da vida do lar, aos cuidado dos filhos, a vigilância dos criados, e a ordenança dessa multidão de pequenos serviços, que, na família, se sucedem tão rapidamente como as nuvens no céu? Quem encontrará a mulher forte, mais forte que a desgraça, que os enlaces da fortuna, que as calúnias, que a maldade humana, e que, após a passagem de todas as ondas, permanece como uma coluna do faról, em pleno mar, para iluminar e fortalecer os pobres náugragos? Mulierem fortem quis inveniet?
…Só a religião poderá dar ao vosso caráter a fixidez, a superioridade de energia e a perseverança que coroam o uso das nossas mais esplêndidas faculdades. Fora de Deus e da sua assistência sobrenatural, a natureza é muito fraca e demasiado miserável para frutificar e sobretudo amadurecer o fruto da virtude…
…Sede verdadeiras cristãs, sede profundas e sinceramente piedosas, fazei de Deus o alimento habitual de vossas vidas, e só então vos podereis aproximar do ideal da força e do vigor, de que as heroínas cristãs nos deram sobejos exemplos, e que faziam exclamar os filósofos pagãos: – Que admiráveis mulheres não são as cristãs!
Á força de provar Deus, de o saborear e de constituir como amigo e confidente de vossos pezares e alegrias, indentificar- vos-ei com Ele, pois esse contato superior será o cimento invisível dos vossos pensamentos, dos vossos desejos, das vossas resoluções e sentimentos. As pedras da vossa vida, isto é, as vossas ações, serão conjuntamente unidas e consolidadas, como nos edifícios do povo romano, de que tantas vezes reza e história e que afrontaram a injúria das idades, porque um cimento tão duro como o bronze as converteu em monumentos imperecíveis.
Foi assim que se formaram todas as mulheres cristãs que deram tão admiráveis exemplos a posteridade; foi em tal escola que beberam o seu heroísmo as virgens e as mulheres mártires, as Inezes, as Perpétuas, as Apolonias; foi nessas escola que outras mulheres, cuja força se desenvolveu numa esfera menos brilhante, tomaram a energia que sofre o martírio lentamente, o martírio da vida diária, o martírio em que a natureza se imola e arde sobre o altar do dever, imolação sublime de que santo Ambrósio dizia: -” Que desconhecido número de mártires de Cristo, na secreta obscuridade da vida quotidiana!” e São Gregório o Grande: – ” Se conservamos a verdadeira paciência no meio dos pezares da existência somos mártires, sem necessidade de algozes e cutelos!”.
É ainda ali, e em consequência d’uma infiltração divina, que se exercem e crescem a paciência cheia de doçura e o espantoso vigor dessas virgens consagradas a Deus, nas escolas dos pobres, nos orfanatos, nos hospitais e nas visitas aos desgraçados de toda a espécie. Nada menos é preciso do que a força que criava os mártires, para multiplicar todos os dias semelhantes prodígios. No cristianismo não deve, pois, ser tão difícil a esta interrogação: – Quem encontrará a mulher forte?
… A Sagrada Escritura ajunta, que a mulher forte é mais preciosa que as pérolas que vêm das extremidades do mundo. – ” Nada é melhor que uma excelente mulher, diz São Gregório Nazianzo, e nada pior do que uma mulher má” (Orat. in funere patris)
A mulher excelente é um preciosíssimo tesouro para a sua casa; é a vida do lar, a luz com os seus mil reflexos graciosos, a alma que tudo penetra, e em toda a parte deixa vestígios dos seus contatos deliciosos. O Espírito Santo tratando este assunto, não receia empregar um termo de comparação, que ordinariamente é o reservado para descrever a ação benéfica e misericordiosa da Divindade: – “Assim como o sol derrama das alturas a luz e o calor e parece vivificar a natureza inteira, assim o rosto d’uma mulher virtuosa é o ornamento da sua casa.” E como se temesse não dizer o bastante continua o seu progressivo elogio, e compara a fisionomia dessa mulher a luz brilhante que cintilava no candelabro d’ouro do templo de Jerusalém : – ” Sicut sol oriens mundo in altissimis Dei, sic mulieris bonae species in ornamentus domus ejus: lucerna splendens super candelabrun sanctum ( Eccl. XXXVI, 21-22)
Bem vedes, senhoras, que a Sagrada Escrituras tem palavras severas a respeito das mulheres, ela as redime com usura, prodigalizando louvores as que pelas virtudes e eminetes qualidades fazem glória do vosso sexo.Como ordinariamente nada há de mediocre na vossa natureza, entrai para o número das mulheres excelentes, a fim de que se possa dizer de vós, com inteira verdade, que valeis mais do que as pérolas compradas por alto preço nos países longínquos, e para que, nem mesmo de leve, se vos possa aplicar a outra frase dos livros santos: ” A malícia da mulher má encerra e excede todas as outras malícias”. ( Id.XXV)
… Merecei sempre a confiança de vossos maridos, e merece-la-eis infalivelmente por uma vida exemplar, por uma doce virtude, paciente, constantemente invariável, mesmo em meio de tudo quanto possa fervir-vos. Um homem pode ter grandes defeitos, vícios graves; pode ter as suas horas de irritação, em que tratará a sua companheira com termos tão duros quão injustos. Não importa: se a mulher for o que deve ser, respeitá-la-á, apesar de tudo, porá nela inteira confiança, e a despeito das palavras violentas, nas quais, muitas vezes, a paixão finge crer, quando a cólera as profere, o coração permanecerá fiel, o coração curvasse-a perante a virtude, o coração terá confiança, porque um outro privilégio da verdade é que, não é permitido ao homem desprezar muito tempo e seriamente uma virtude que nada abala, e que persiste no meio duríssimas experiências.
Mas quando mais feliz não é o lar onde o coração dos dois esposos é atraído por um confiança recíproca, onde existe a fusão das almas, onde elas se inclinam naturalmente uma para a outra, como dois vasos, um dos quais encerra o licôr necessário ao outro! As iguais uniões são uma das mais preciosas bençãos do céu; são a riqueza e a felicidade da existência, como lhe chama São Crisóstomo, são o paraíso na terra; são depois das alegrias celestes e dos júbilos de fé, neste exílio da terra, o ante-gosto de melhor da vida, de vida em que tudo quanto o coração pôde sonhar será o objeto da nossa íntima posse: – o respeito, a confiança, o amor puro e a eternidade.
O marido nesta vida de confiança mutua, derrama na alma da mulher a inteligência, a luz, o vigor e o conselho, pelo seu lado, entretece para o esposo uma coroa de flores graciosas; ela dá-lhe, como árvore fecunda, a frescura e os frutos da alma afetuosa, recompensa-o das fadigas da vida, bebe-lhe as lágrimas e infiltra-lhe nas veias um óleo de alegria e de felicidade. A mulher forte, diz o Espírito Santo, é o jubilo de seu esposo, porque lhe fará viver em paz todos os anos da existência ( Eccl. XXXVI, 2)
Ditoso o homem que possue uma companheira assim! Não terá necessidade de riqueza estranhas; spollis non indigebit. Terá no lar o tesouro do seu coração, e não lhe produzirá atrativos tudo quanto for além disto, tudo quanto for exterior. A graça, a virtude, a afeição da esposa, serão um laço preparado pela Providência para o conservar na linha do dever.
…A mulher forte dará a seu marido o bem e não o mal, durante os dias da sua vida: reddet ei bonum et non malum, omnibus diebus vitae suae.
Nobre confiança que a Providência concede à mulher! Fazei constantemente o bem e nunca o mal! Fazer o bem, sobretudo a seu marido, porque se identifica com ele; fazer o bem em todas as circunstâncias, e por toda a espécie de meios, pelas palavras, pelas ações, pelos conselhos e mesmo pelo silêncio! Fazer o bem prevenindo em embutes e os pezares que podem ferir o homem, e trabalhando para os desviar! Fazer o bem quando ele é feliz, gozando-o conjuntamente com ele, partilhando- lhe a ventura; fazer o bem, sobretudo quando é desgraçado e mártir, compartilhando das penas, aliviando-as pelas mil delicadas atenções que tão engenhosamente sabe encontrar a mulher quando tem boa vontade! Fazer sempre o bem e nunca o mal: reddet ei bonum et non malum.Não!nunca o mal! E insisto sobre esse ponto, porque sei que a mulher tem muitíssimos meios para praticar quando quer; porque sei que ela tem imensos recursos para se vingar, alastrando de espinhos todas as vias, quando tem o coração ulcerado! Eu peço-vos, senhoras, que não useis semelhantes processos, ainda mesmo que vossos maridos sejam coléricos, vingativos e egoístas, ainda mesmo que sintais o coração ferido no que ele tem de mais íntimo: Peço-vo-lo em nome de Deus, dos vossos mais caros interesses, da vossa família, e do vosso sangue! Mas eu engano-me; tendes, é verdade, um excelente meio de vingança: – fazendo o bem, opondo um ato de abnegação e de renunciamento a cada ato de egoísmo; a cada palavra áspera uma palavra meiga, ou pelo menos o silêncio, não o silêncio provocador, mas o do amor e da paciência, e no dia seguinte, ou na própria noite, como continuação de tão nobre vingança. dai mais verdade a vossa afeição, mais atenção e mais engenho à vossa ternura! Ah se vós soubesseis vingar-vos assim, que de vitórias não alcançarieis! Que lutas magnanimas! Que triunfos completos e pacíficos!
Foi assim que Santa Mônica soube combater seu marido, que era violento, arrebatado e entregue a desordens doloríssimas para um coração de esposa. Ela evitava discussões que irritariam ainda chagas abertas e esperava o dia da misericórdia divina. Opunha a todos os arrebatamentos a seriedade e o silêncio somente, e quando julgava conveniente dar-lhe conta do seu procedimento, esperava que ele se acalmasse.Foi isto, continua Santo Agostinho, o que fez com que ela ganhasse a admiração e o respeitoso amor de seu marido ( Confess., IX, c.9), e que preparou a conversão daquele que ela havia suportado com tanta paciência. A quantas mulheres vinham queixar-se-lhes das discussões internas respondia ela acusando-lhes as línguas e dando-lhes conselhos, com modos de amável gracejo.
…Imitai senhoras, este esplêndido modelo: será a melhor resposta a muitas objeções, o meio mais seguro de evitar numerosos perigos e de fazer desaparecer uma grande parte de obstáculos que se opõem a paz das famílias.
…Terminemos este entretenimento com as últimas palavras do versículo: Ela lhe dará o bem e não o mal todos os dias de sua vida! Omnibus diebus vitae suae! Sim, todos os dias da sua existência. Quando o marido é novo, elegante, e conserva os traços de alguns encantos da mocidade, é talvez fácil fazer-lhe bem. Mas chegam mais tarde as rugas da velhice; as enfermidades com o seu cortejo triste batem à porta; o caráter torna-se algumas vezes sombrio, dificil e suscetível em razão da fraqueza. É este o momento da experiência para a verdadeira dedicação; é então que se torna preciso uma duplicação de cuidados, de atenção, de serviços e, sobretudo, de cordial afeição.
Diz-se que o vinho é o leite dos velhos: esta frase é ainda mais verdadeira para o vinho dos afetos. Deveis ter no coração algumas gotas desse licôr; deveis tê-lo até em abundância para o pouco que conservais o da juventude e o da virilidade. Ministrai a vosso marido, diariamente, uma taça dele, tão cheia que desborde, a vosso marido que já sucumbe, e em cuja fronte há já os traços dos últimos dias do outono e o selo dos primeiros do inverno. Dai vinho aos que tem coração triste, diz o Espírito Santo: Date vinum his qui amaro sunt animo( Prov. XXXI, 6). E o melhor líquido, o que mais aquece o sangue da alma, quando ele pudesse ser gelado ao sopro da indiferença, é o vinho da afeição.
A natureza, senhoras, desfaleceria muitas vezes nesta penosa tarefa: mas é a mulheres cristãs que eu me dirijo para lhes dizer que a piedade acabará por aliviar o que nem sempre seria agradável a pobre humanidade, n’uma vida de sacrifícios.
Só a religião póde formar as mulheres verdadeiramente fortes em todas as circunstâncias da vida, as mulheres verdadeiramente superiores, que dominam os acidentes, as desgraças da existência, as repugnâncias da natureza, os defeitos do caráter e os atritos contínuos em que a alma é como que triturada no meio de pesadas pedras, ou, o que não é menos doloroso, lacerada entre mil afiados espinhos.
Só uma piedade profunda e séria poderá desenvolver, entre as mulheres, o temperamento moral que resiste as dificuldades, e torná-las semelhantes as aves, para se elevarem acima das nuvens e das tempestades, e melhor cumprirem os seus deveres, na severidade d’uma paz inteiramente celeste. Mas para ser semelhante a ave é necessário ter asas, e Deus só póde das a alma as asas divinas, tão sólidas como leves, com as quais sobe e desce, como para disputar o prêmio da força e da agilidade dos príncipes do ar. Segundo a comparação do Profeta, qui in avibus coeli ludunt( Baruch III, 17).
A força consiste, muitas vezes, no emprego dessas asas da alma, sobretudo, quando são animadas por um espírito da inteligência: A spiritus in alis earum ( Zach.V,9).
Possa o Senhor dar-vos duas como a mulher de que reza a Sagrada Escrituras, pois não vos serão inúteis para cumprirdes com energia e perseverança a vossa missão de mulheres fortes: Datae sunt muliers alae duae (Apoc. XII, 14).
( Mons. Landriot – A Mulher forte – 1ª Conferência – ano 1877)
17/06/2009 às 6:40 pm
Olá Letizia, obrigada por enviar. Irei ler com carinho!
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Em Cristo,
JM